Para quem lembra, e para quem é da época, pode lembrar do início da Volkswagen na década de 80, quando a mesma entrou no mercado com os seus 7.90 e 11.130. Quem diria que uma empresa enfrentando os mais variados desafios do mercado, pudesse chegar no século XXI com um caminhão extra-pesado. O tempo foi passando e hoje, a Volkswagen lança um produto que faz o transportador reavaliar o mercado de caminhões, e a enxergar como uma grande montadora, pronta para atuar fortemente neste segmento, preparada inclusive para ser uma das líderes de mercado.Um novo caminhão – com conceito de mercado
Mais que lançar um novo caminhão, a Volkswagen está entrando em um novo mercado, e este é muito mais complexo do que o mercado que ela entrou com o famoso Titan. O segmento de caminhões extra-pesados sempre foi dominado pela Scania, uma empresa com DNA em caminhões pesados. No decorrer dos anos a Mercedes-Benz também liderou o mercado e a Volvo teve também o momento de liderança, mesmo afirmando que não é seu objetivo. Porém, o que necessitamos avaliar é a forma competitiva como se disputa o mercado de extra-pesados.
A Mercedes-Benz, vem com a linha Axor crescendo no mercado. A Volvo por sua vez está com toda a sua linha remodelada e alinhada. A Scania projeta para os próximos dias o lançamento de sua nova linha, que deve reforçar o bom momento que a montadora vive, que é o melhor desde o final do lendário 113. A Iveco vem pelas beiradas, investindo em uma nova linha e apostando na boa performance que a linha Stralis conquistou na Europa.
É neste cenário que a Volkswagen Caminhões entra com seu extra-pesado. A seu favor soma-se suas estratégias de marketing agressivas, uma rede de concessionárias muito bem distribuídas, e um cenário econômico muito favorável. Contra pesa a necessidade de comprovar que o seu motor MWM International, possa ser um puro sangue voltado para as longas distâncias. Preparar a rede para atender especificamente a linha, também fomentar a rede para viabilizar negócios na linha de extra-pesados usados, os quais possuem um alto valor e geralmente tem um tempo maior de comercialização, são os desafios da montadora. Outro objetivo é provar que um caminhão de 370 cv possa tracionar um bitrem com um excelente custo X benefício.
A linha 370, nos primeiros testes promete ser um forte competidor na linha dos três eixos, com uma motorização respeitável, com um excelente torque, um trem de força muito bem resolvido e uma cabine muito mais confortável. Na configuração de bitrem, ainda é muito cedo para se fazer uma avaliação, mas a montadora afirma que o mesmo anda bem e que ainda tem uma média de combustível acima das médias realizadas pela concorrência.
Conheça os novos Extra-Pesados da Volkswagen
A linha Constellation é ampliada com mais três modelos: Os veículos VW 19.370, VW 25.370 e VW 31.370, entram no mercado brasileiro. A cabine é a mesma do Constellation 19-320, mas a grande novidade fica por conta do propulsor VW NGD 370, com 367 cavalos de potência. O motor que é um MWM International, foi desenvolvido em uma inédita parceria entre a montadora e a fabricante, onde quem definiu as prioridades e preferências do motor foi a Volkswagen. Mais de 50 mil horas de testes e 3,5 milhões de quilômetros de testes foram realizados.
O novo motor equipara os modelos 19.370, um cavalo mecânico 4x2, o 25-370, um cavalo mecânico 6x2 e o modelo 31.370, chassi 6x4, usado para transportes segmentados, como o transporte de madeira, por exemplo. Desta forma a marca se posiciona em um segmento de 300 a 400 cv.
O motor VW NGD 370 possui características como o alto torque "plano" em baixa rotação que é auxiliado por um turbo-compressor de geometria variável: o Multi Turbo System - MTS. O cabeçote com quatro válvulas por cilindro, a cilindrada de 9.354 cm³ (9,3 litros), 367 cavalos a 2000 rpm, e o freio motor no cabeçote conjugado, o Dual Power Brake – DPB – são outras de suas várias características.
A parte de injeção é exclusiva na linha. O sistema HEUI - Hydraulic Electronic Unit Injector HEUI – de alta pressão, com injetores digitais eletro-hidráulicos, foi desenvolvido pela Siemens/VDO. O motor, pela sua litragem é também o mais leve da categoria, e suas camisas são úmidas, as quais tem uma boa aceitação de mercado, e um custo de manutenção menor.
O turbo-compressor Multi Turbo System – MTS – com sistema de geometria variável é controlada eletronicamente, garantindo respostas mais rápidas, melhor desempenho e retomada, além de melhor rendimento térmico. A peça ainda executa a função de freio motor no escapamento. O sistema Exhaust Gas Recirculation – EGR – é um recirculador e resfriador acoplado ao bloco que reaproveita parte dos gases da exaustão, que volta à câmara e produz combustão a temperaturas mais baixas e com menores taxas de emissões.
O novo sistema de freio motor no cabeçote do motor Dual Power Brake – DPB – tem atuação no cabeçote do motor integrado eletronicamente à turbina. Suas vantagens são: o aumento na velocidade média operacional, na potência de frenagem, na segurança, na retomada com economia de combustível e na velocidade em declives. Tudo isso com menos trocas de marchas, baixos custos de manutenção e ganho de vida útil de com-ponentes dos freios e pneus. Em si, o motor promete ser muito competitivo, e com as novas características deve deixar o mesmo com uma boa média de con-sumo e com baixo custo de manutenção.
A transmissão utilizada é ZF 16S 1685 TD com 16 marchas sincronizadas. Com carcaça de alumínio que proporciona menor peso e com engate pneumaticamente assistido, o que garante maior precisão no engate das marchas. Na parte da suspensão no modelo 25.370, a montadora optou pelo sistema tipo balancim. Sua capacidade de tração é de 60 toneladas e conta com sistema de bloqueio transversal do diferencial de série, que garante maior tração em pistas escorregadias ou subidas acentuadas. O bloqueio do diferencial é acionado ou desligado com o simples acionamento de um botão pelo motorista no painel da cabine.
Um dispositivo para levantamento parcial ou total do terceiro eixo permite que o 25.370 tenha maior tração. O Extra Traction Device – ETD - assegura que parte da carga do terceiro eixo, em condição de levantamento parcial, seja transferida para o eixo trativo. Seu acionamento também se dá por um botão no painel.
Os modelos 6X4 têm eixos traseiros trativos Meritor MD/MR 25-168 conjugados com a robusta e consagrada suspensão traseira Randon (eixos rígidos em tandem, tipo bogie). Os novos modelos contam uma opção interessante para o transportador do segmento de extra-pesados, que é uma maior capacidade nos tanques de combustível. O modelo 4x2 conta com alternativa de dois tanques de plástico totalizando 550 litros ou um de alumínio de 480 litros, já o modelo 6x2 há dois tanques de alumínio interligados, totalizando 620 litros.
Cabine recebe novo sistema de amortecedores
A cabine dos extra-pesados, segue o padrão Constellation, com alguns diferenciais para o segmento, como por exemplo, o modelo 4x2 podendo tracionar reboque de 30 pallets. A grande novidade fica por conta do sistema High Confort de suspensão da cabine, com amortecedores frontais e traseiros dotados de regulagem. O item é de série nos modelos de 25 toneladas. Os modelos de cabine estendida ganham como opcional a cama rebatível com 1,95 metros de comprimento e 620 centímetros de largura. A cama rebatível é fixada verticalmente atrás dos bancos do motorista e do passageiro, e assim permanece durante a condução do veículo.
O basculamento das cabines será mais seguro graças à instalação de chave na bomba hidráulica, o que reprime violações e atos de vandalismo, além de acionamentos involuntários. Outro item opcional que deve ganhar a preferência dos transportadores da região sul é os faróis de longa distância, o que é comum usar nesta região.
Fonte: Jornal Estrada